Contábil
IFRS S1 e S2: O Marco Inicial da Contabilidade de Sustentabilidade Obrigatória no Brasil

Marca-se o primeiro dia útil do exercício social em que a aplicação das normas IFRS S1 (Requisitos Gerais) e IFRS S2 (Divulgações Relacionadas ao Clima) torna-se mandatória para as companhias abertas no Brasil, conforme o cronograma estabelecido pela CVM e pelo CFC. A transição retira o tema ESG do campo dos relatórios voluntários de marketing e o insere definitivamente no núcleo das demonstrações financeiras auditadas. A partir de agora, a omissão ou imprecisão de dados sobre riscos climáticos e governança ambiental passa a ser tratada com o mesmo rigor técnico e jurídico de uma falha em contas patrimoniais.

Enquanto a IFRS S1 estabelece a estrutura para a divulgação de riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade que possam afetar o fluxo de caixa da entidade, a IFRS S2 foca especificamente no clima. O grande desafio contábil de 2026 reside na quantificação financeira desses dados:

Interconectividade: As empresas devem agora demonstrar como as metas de descarbonização impactam o valor justo de seus ativos e as provisões para passivos de longo prazo.

Emissões de Escopo 3: Pela primeira vez, o monitoramento das emissões indiretas em toda a cadeia de valor (fornecedores e uso de produtos) deixa de ser um diferencial e passa a ser um requisito de conformidade, exigindo sistemas de controle interno muito mais robustos.

A Auditoria e a Prevenção ao "Greenwashing"

A obrigatoriedade traz consigo o crivo da auditoria independente. A partir deste trimestre, auditores deverão emitir pareceres sobre a fidedignidade dos dados de sustentabilidade, o que deve mitigar a prática do greenwashing. Para o mercado de capitais, essa padronização é vital: investidores agora podem comparar o desempenho de sustentabilidade de uma empresa brasileira com uma europeia ou asiática sob a mesma métrica global do ISSB (International Sustainability Standards Board).

Analistas preveem que o custo de capital para as empresas em 2026 estará diretamente ligado ao seu "rating" contínuo nestas novas demonstrações. Aquelas que falharem em demonstrar resiliência climática em seus balanços podem enfrentar rebaixamento de notas de crédito e maior dificuldade na captação de recursos via debêntures verdes.

Implicações para o Profissional Contábil

O contador de 2026 assume o papel de "curador da verdade corporativa". Não basta apenas registrar transações passadas; é necessário projetar como variáveis externas não financeiras (como a escassez hídrica ou novas taxas de carbono) afetarão a continuidade operacional (going concern). A integração entre os departamentos de Sustentabilidade, Engenharia e Controladoria torna-se, portanto, a principal prioridade de gestão neste início de ano.

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